quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cristina Kirchner, o lado sênior de Dilma


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Luciano Ayan


Em qualquer empresa que você for, encontrará cargos. E para cada cargo, saberá que existem profissionais em três perfis: júnior, pleno e sênior. Para cada um destes perfis, existem alguns requisitos básicos que, se atendidos, o qualificam. 

Será que existe algo similar para a política bolivariana? Bem capaz que exista e nós não temos acesso (até por que não pertencemos a partidos bolivarianos), mas podemos fazer uma aposta: onde Dilma é plena, Cristina Kirchner é sênior. 

Isso se falarmos no uso da retórica agressiva e desleal, no uso criminoso e psicopático da guerra de classes e no cinismo mais apavorante que mentes monstruosas conseguem conceber. 

Vamos a alguns exemplos, a começar por trechos de uma matéria do Estadão
O “nós contra eles”, a “alegria contra o silêncio”, o “amor contra o ódio” e outros recursos usados pela presidente Cristina Kirchner para distanciar seu grupo da oposição poucas vezes tiveram tanto sentido como neste carnaval, em que a Argentina atravessa uma polarização extrema. 
Note que a polarização é criada sempre por eles. E sempre que a crise surge, eles mesmo aumentam a polarização. Aí, é claro, a oposição não pode abaixar a cabeça. O interessante é o recurso de "amor contra ódio", usado por um grupo especialista em propagar discurso de ódio. O PT fez a mesma coisa nas eleições de 2014. 

No passado Cristina já havia comprado brigas com ruralistas e a mídia independente. Agora, compra a terceira briga, contra a marcha pró-Nisman, prestes a ocorrer na Argentina. 

Mesmo sênior no uso das técnicas "nós contra eles", eles estão indo longe demais, como diz o consultor político Ricardo Rouvier: 
“O governo se desorientou diante da morte trágica do promotor. Considerou logo de cara a marcha a partir da ótica ‘amigo-inimigo’ e não conseguiu neutralizar. É óbvio que será uma manifestação da oposição que teria sido controlada se o governismo tivesse ficado à frente”, disse ao Estado o sociólogo e consultor político Ricardo Rouvier.
Segundo ele, o movimento criado por Néstor e continuado por Cristina tem o confronto em sua essência e isso o manteve no poder durante 12 anos. “A tática é eficaz. Mas é verdade que o kirchnerismo pretende sobreviver depois de 2015 e não se apoia em um partido dinâmico e moderno. Ou seja, não tem futuro, ou seu destino está ligado à atual presidente”, afirma. 
Leia com atenção o trecho acima. Para quem acha que o confronto é um engano, note que Rouvier menciona, acertadamente, que foi isso que manteve Cristina no poder por tanto tempo. 

Obviamente, eles querem ir até onde dá. Exatamente por isso começam a acusar os manifestantes pró-Nisman de golpistas (assim como os petistas estão fazendo com quem denuncia o Petrolão). Rouvier complementa: 
Não há perigo de crise de governabilidade. Mas o governo exibe esse perigo como real. O kirchnerismo põe em tensão o sistema normativo e isso produz choque com o Judiciário, que por sua vez ataca o governo. 
Ou seja, até aqui o partido de Kirchner age exatamente igual ao PT. Com a diferença que no Brasil, o Judiciário é muito mais leniente com o partido. 

Mas há um aspecto no qual Dilma ainda não adquiriu a mesma maestria de Cristina. É na arte do fingimento hipócrita (hoje mais executado por seus marqueteiros do que por ela própria). 

Veja o que ela diz sobre a marcha pró-Nisman, conforme o Brasil247
Alguns se surpreendem com como eu posso suportar tudo o que suporto [...] Eu digo a eles que foi aqui na Patagônia - com o vento, o frio e a neve - que aprendi que posso suportar qualquer coisa. Para viver no sul da Argentina, você precisa ser forte. 
Observe se o cinismo não é de gelar o sangue. O promotor Alberto Nisman morreu. Tomou um tiro na cabeça. E ela aparece para se fingir se vítima por que pessoas protestam em homenagem ao falecido. Será que o frio da Patagônia sobre Kirchner é pior que um tiro na cabeça de Nisman? 

Esta senioridade no uso da sordidez deve ser combatida com senioridade na arte do desmascaramento. Monstros assim não podem ficar impunes apenas por jogarem com as emoções da audiência.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

UOL Cliques