segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cardozo, um ministro piadista: agenda que sumiu se deve a "problemas no sistema de TI"


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Por Luciano Ayan

O que está acontecendo com o Sr. José Eduardo Cardozo? O ministro da justiça mais bizarro das últimas décadas decididamente ultrapassou sua cota de parangolé para enrolar a patuleia. 

Conforme a Folha de S. Paulo, a agenda divulgada pelo ministério da justiça (em seu portal na internet) omite boa parte dos compromissos oficiais de Cardozo. Nesses compromissos, como vimos, a pauta parece ser mutreta. Era natural que os compromissos tenham sido omitidos mesmo. 

Afinal, como explicar as várias reuniões com réus da Lava Jato? Segundo a reportagem, Cardozo asseverou que não agiu errado e que todos os seus compromissos são divulgados na internet. O duro é ele explicar por que sua agenda não informa suas atividades em 80 dos 217 dias de trabalho. Desde quando? Desde a deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014, é óbvio. Ou seja, são 80 dias de limbo, onde ninguém faz ideia de onde o ministro esteve, nem mesmo se ocorreram reuniões no expediente. 

Leia mais:
O levantamento da Folha mostra que apenas três encontros com advogados foram registrados desde março do ano passado. O mais recente ocorreu no dia 5 deste mês, quando Cardozo recebeu em seu gabinete três advogados que defendem a Odebrecht, segundo o jornal "O Globo".
Além deles, a agenda mostra que foram ao gabinete de Cardozo duas advogadas, em dias diferentes do mês de julho. Nenhuma delas, porém, defende personagens ou empresas envolvidas no esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Lava Jato.
O ministro, a quem a Polícia Federal é subordinada, diz que a lei garante a advogados o direito de ser recebido por autoridades públicas.
Lembre-se que as três conversas (pelo menos) com advogados de empreiteiras sob investigação (incluindo UTC e Camargo Corrêa) não constam da agenda oficial. 

E aqui está a pérola das pérolas:
Com relação aos 80 dias em que não existe registro das atividades de Cardozo, sua assessoria disse que houve "problemas no sistema de TI (Tecnologia da Informação)".
É de cair da cadeira! Com certeza, uma das piores desculpas que ele poderia arrumar. Verdade seja dita: é um clássico nas organizações. Esse papo furado surge quando o sujeito sai dos processos tradicionais, e muitas vezes foge aos padrões da empresas, apoiando-se em transferir a culpa "aos sistemas de TI". Mas os auditores de segurança da informação geralmente questionam: "Que chamados foram abertos no help desk?". 

É aí que o sorrisinho dos picaretas começa a sumir de suas caras...

A oposição precisa levar um Auditor de TI para acabar com a pose desta figura. 
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