sábado, 7 de fevereiro de 2015

Avaliação de Dilma Rousseff vai ao chão em ritmo de meteoro: 23%. E vai cair mais…


Por Luciano Ayan

Saiu o resultado da pesquisa Datafolha de satisfação com a Dona Dilma. Em dezembro passado, ela tinha 42% de ótimo/bom e 24% de ruim/péssimo. Agora, marca respectivamente 23% e 44%. (A mesma pesquisa mostra queda de 10 pontos percentuais de Geraldo Alckmin, o que não é nada comparado ao desastre de Dilma, principalmente por que temos uma crise hídrica terrível em São Paulo, que já está respingando em sua imagem. Aqui o que nos interessa são os números de Dilma, estes sim marcantes. E vou até dar um desconto para Haddad, que caiu na mesma proporção que Alckmin. Portanto, não caiam na conversa dizendo que “há uma crise na política”)


Dilma simplesmente está com uma moral similar a de Collor durante o governo deste. Alguns comentários sobre a matéria da Folha:
A conjuntura sombria resulta da confluência do escândalo da Petrobras com a acentuada piora das expectativas sobre a economia. O pessimismo dos entrevistados se agrava pelo contraste entre a realidade e a imagem rósea pintada nas campanhas eleitorais do ano passado e pela possibilidade cada vez mais concreta de faltar água e energia. A presidente da República recebe o pior golpe, com uma inversão total nas opiniões sobre seu governo.
Aqui um mea culpa. Alguns colunistas (eu incluído) já chegaram a criticar o PSDB por estar focando demais no contraste entre a campanha do PT e o que o governo realmente entregou. Parece que neste ponto os tucanos acertaram.
São as piores marcas de seu governo e a mais baixa avaliação de um presidente da República desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em dezembro de 1999 (46% de ruim/péssimo) […] Segundo o Datafolha, Dilma obteve a primeira nota vermelha (4,8) após quatro anos no governo e uma campanha vitoriosa pela reeleição. A perda de prestígio da presidente se verifica mesmo nas faixas de renda em que encontra mais eleitores. Metade dos que ganham até dois salários mínimos consideravam seu governo ótimo ou bom em dezembro, e agora são 27% -23 pontos de queda em dois meses. As más novas se acumulam em todas as frentes: escândalo na Petrobras, piora das perspectivas da economia, aumento do pessimismo na população, restrição de benefícios sociais e uma estiagem que ameaça apagar as luzes e secar as torneiras. O tema da corrupção, impulsionado pelo combustível do Petrolão, rivaliza com a saúde pública como principal problema do país. Cravou 21% das preferências dos entrevistados pelo Datafolha, contra 26% da saúde.

Acho que os comentários acima não deixam margem à dúvidas quanto ao que realmente incomoda os eleitores, certo? Vejamos o quadro abaixo:


Está aqui um ponto vital para entendermos como o PT pode ser desconstruído ainda mais efetivamente. Pode-se notar vários problemas óbvios na lista de prioridades do eleitor. Enquanto isso, as duas prioridades do partido são (1) censurar a mídia, (2) garantir financiamento exclusivamente público de campanha. No primeiro caso, o objetivo é esconder os indicadores sociais ruins e abafar escândalos de corrupção. No segundo, a ideia é permanecer no poder, garantindo o direito de usar o estado a seu favor, sem permitir que os outros tenham chance de lhe tirar do poder.

No dia em que a oposição descobrir o quanto a censura de mídia tem potencial de se tornar um elemento de shaming deste governo, aí sim é que o governo petista experimentará recordes de insatisfação popular. Observe os frames: “O governo não se preocupa em resolver os problemas com os quais você, eleitor, se preocupa. Ele quer resolver os problemas do partido, especialmente para esconder os problemas de você, e poder destruir a sua vida ainda mais sem que você descubra. Você vai tolerar isso?”.
O mensalão vicejou no governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas em seus dois mandatos não mais que 9% dos brasileiros apontavam o desvio de dinheiro público como mal maior. Agora, a corrupção se avizinha do pódio. A presidente não se livra de responsabilidade perante a população. Segundo o Datafolha, 77% dos entrevistados acreditam que ela tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. Para 52% ela sabia dos desvios e deixou continuar; para outros 25%, sabia e nada pôde fazer. Quase metade (47%) dos brasileiros a consideram desonesta, além de falsa (54%) e indecisa (50%). A imagem deteriorada alcança correligionários. Entre petistas, 15% falam em desonestidade e 19%, em falsidade.
Estes números são importantes, pois isso significa significa perda de apoio dos petistas, que se sentirão menos motivados a defender Dona Dilma. Também pudera, já que ela mentiu não apenas sobre os adversários, mas inclusive para seus correligionários.
Não há tanto o que estranhar, quando se tem em mente que seis de cada dez entrevistados consideram que Dilma mentiu na campanha eleitoral. Para 46%, falou mais mentiras que verdades (25% em meio a petistas). Para 14%, só mentiras. Se na época do segundo turno só 6% achavam que a situação econômica do próprio entrevistado iria piorar, hoje são 26%. Como 38% acreditam que ficarão na mesma, conclui-se que o desalento contagia 2/3 da população. E isso num momento em que o tarifaço, o aumento do desemprego e dos juros e a recessão nem se materializaram completamente.
Ou seja, o que está ruim, pode ficar ainda pior. Devemos exigir que cada vez mais a oposição faça aquilo que não fez durante a campanha eleitoral, pois uma efetiva campanha de desconstrução naquela época já teria nos livrado dessa maldição no governo. Mas já que não fizeram o que deviam ter feito em termos de desconstrução na campanha eleitoral, que façam agora.

E agora em ritmo de carnaval...


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