quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A greve dos caminhoneiros e a liberdade nas redes sociais


Imagem: Reprodução Redes Sociais
Por Pedro Henrique

A greve dos caminhoneiros, iniciada no dia 18, teve como algumas de suas reivindicações a diminuição do preço do combustível, o aumento da carga horária diária permitida, a melhoria nas condições das rodovias, dentre outras. 

Esta é mais uma das manifestações públicas da série que assola o país desde 2013. Elas são o resultado do desinteresse do governo petista em representar o povo, além do autoritarismo tipicamente de esquerda do partido dando "direitos trabalhistas", que na verdade são proibições para empregados e empregadores.


Este movimento começou no Facebook e atualmente se mobiliza principalmente através do Whatsapp. Os outros movimentos que surgiram desde de 2013 também vem se organizando por estas e outras redes sociais, bem como outros movimentos como a Primavera Árabe e movimentos da oposição na Venezuela. 

Parece que a tendência dos movimentos sociais contemporâneos foca na utilização intensa das redes sociais. Regimes ditatoriais já perceberam esta tendência e buscam impor controle que fariam os reis absolutistas do passado corar de vergonha. 

Um exemplo deste controle é a Ley de medios na Argentina. Outro é o bloqueio temporário das redes sociais realizado pelo governo venezuelano.  Na China, a tradição do controle das comunicações é mais antiga e mais feroz. Apesar destes exemplos, heróis da liberdade sempre buscam maneiras de evitar a opressão governamental sobre as comunicações. Na China, mesmo com toda a repressão, muitos conseguem se organizar pela Internet usando servidores de outro país.

Portanto, o controle das redes sociais é a mina de ouro para quem quer realizar a dominação do povo e evitar qualquer tipo de reação popular.  No Brasil, o Marco Civil da Internet deu um passo importante no controle da internet. 

Além de impedir a liberdade dos consumidores de escolher o pacote que lhe interessam, essa lei impede o surgimento pacotes que permitiriam uma maior velocidade a quem realmente precisa. Quem escolhe usar a Internet para apenas ver e-mails e não precisar de outros serviços tem usa a mesma tecnologia de quem escolhe usar a Internet para baixar arquivos de grande volume, ao invés de disponibilizar essa tecnologia mais potente para quem mais tem interesse em usar. 

Este é o velho princípio comunista de igualar todos. Mas como nem todos vão ter ou ser o melhor, o Estado nivela todo mundo no pior. É claro que o Marco Civil tende a limitar o acesso a informações, e portanto, enfraquece os movimentos populares.

Curiosamente, recentemente um juíz do Piauí, tendo ou não segundas intenções, colabora com o enfraquecimento de movimentos sociais ao determinar a supensão do Whatsapp. Com a suspensão deste programa, imaginem que efeito isto resultaria na organização dos caminhoneiros. Obviamente, eles teriam que buscar outros programas ou voltar para o Facebook. Iria levar um tempo até os caminhoneiros se acostumarem com a nova situação, e a comunicação deles talvez ficasse mais lenta e prejudicada, pois o programa parece ser mais simples de usar no celular para profissionais que estão sempre viajando. Um celular é mais prático de que usar o laptop.

Por enquanto o Whatsapp continua, pois um desembargador minimamente sensato derrubou a determinação do juíz, mas como o totalitarismo sobre as redes sociais é um risco real e sempre presente, deixo como sugestão este artigo que fala de 9 alternativas ao Whatsapp.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

UOL Cliques