quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Roberto Romano leva tudo no campeonato de delírios políticos: para ele, PT e PSDB deviam se unir



Por Luciano Ayan

Algumas mentes da extrema-esquerda saem do padrão normal da mendacidade bolivariana. É o caso, por exemplo, de Emir Sader. Também é o de Roberto Romano, um professor de Ética da Unicamp, capaz de maquiar a realidade de formas inacreditáveis.

No passado, ele garantia que não existia doutrinação de esquerda nas universidades. Agora ele vai muito além: segundo ele PT e PSDB precisam se juntar contra “a ameaça da direita”.


É o mesmo tipo de mente que faz os incautos “travarem” ao ouvir que “o problema não é o islamismo radical, mas a extrema-direita”. Ou seja, para se esconder uma ameaça real, basta inventar uma ameaça puramente ficcional para proteger os seus. E ele ainda ganha para fazer isso!

Vejamos alguns trechos da entrevista desta coisa à Istoé Dinheiro, na qual ele começa dizendo o motivo pelo qual o PT e o PSDB deveriam se aliar:

Tenho lido muito sobre a República de Weimar [período da história alemã entre o fim da Primeira Guerra, em 1918, e a ascensão do nazismo, em 1933]. Na época, a briga entre socialdemocratas e socialistas era tão grande, que destruíram uns aos outros. Isso levou à ascensão da direita. Em política, não existe lugar vago. Quando esquenta a briga entre a esquerda e a centro-esquerda, abre-se uma brecha para a direita crescer. No Brasil, o PT e o PSDB chegaram a tal ponto… quando eles terminarem de destruírem uns aos outros, o caminho estará aberto a um candidato de direita. E lembre-se de que a direita não conversa com ninguém; ela manda. O meu medo é que a direita se aproprie das novas tecnologias de marketing.

Não há uma frase verdadeira neste parágrafo acima.

Na verdade, o que Romano quer é que o PSDB aja como uma eterna mucama do PT. Como ele sabe que os tucanos não são bons de briga, o servilismo eterno deste partido ao PT seria o paraíso na terra para estes últimos.

O problema acontece quando surgem os nacionais-socialistas (que não existem por aqui como força política), que são outros esquerdistas aí sim bons de briga. Mesmo que hoje em dia com táticas patéticas, os nacionais-socialistas tem uma fibra que os tucanos não tem (a não ser que os pressionemos). Ou seja, são outros esquerdistas que podem ir para o confronto contra o PT. Por isso, ele os rotula de “direita”.

Mas espere… o Romano comete um erro estratégico ao chamar o PSDB de “esquerda”, pois os petistas já o rotularam de “extrema-direita”.

E na Alemanha, o que levou à ascensão do nacional-socialismo foi mais o fracasso do marxismo que uma suposta “briga” entre socialdemocratas e marxistas.

A tal “briga entre PT e PSDB” também não existe, pois o que vimos nessa eleição foi a campanha do PSDB usando musiquinhas e o PT fazendo desconstrução. Uma briga depende de que os dois lados briguem. Senão é surra.

O discurso dizendo que “o PSDB agride o PT” não passa de peça de propaganda petista, já que os fatos (corrupção, aniquilação da economia brasileira, etc.) é que estão demolindo o PT. Como eles não gostam dos fatos, culpam o PSDB, a “mídia golpista”.

Então isso de “se destruírem uns aos outros” é outra historinha romanística.

Segundo, ele “a direita não conversa com ninguém; ela manda”. Bom, não é a direita que tem 200 milhões de assassinatos de seus próprios cidadãos no currículo, Sr. Romano.

Ele não conseguiu mencionar nada sobre direita até aqui, mas uma frase é correta: “meu medo é que a direita se aproprie das novas tecnologias de marketing”.

Vamos adaptar isso à verdadeira direita, que se opõe aos fanáticos por estado inchado, como os marxistas, fascistas e nazistas. Direita aqui é quem defende redução de aparelhamento estatal, redução da opressão por donos do estado inchado e mais liberdade.

Neste caso ele acerta. Ele tem motivo para temer duas coisas: (1) que a direita domine as tecnologias de marketing, (2) que a direita aprenda a jogar o jogo político.

Agora, é hora dele confessar suas intenções, quando questionado se há espaço efetivo para PT e PSDB “se entenderem”:

Do ponto de vista factual, é muito difícil. Há muita agressão e desconfiança mútuas. Ninguém duvida da capacidade de liderança de Lula, mas ele é muito egocêntrico. Sempre liderou, focado em suas decisões. Há uma grande escassez de líderes no Brasil. No PSDB, estão o Serra, Alckmin e o Aécio. Já o ex-presidente FHC é importante, mas já não mobiliza multidões. Então, não há ninguém capaz de fazer frente ao Lula, agora.

Espere, se não há ninguém capaz de fazer frente ao Lula, agora, na concepção dele, então a junção proposta pela figurinha é a sustentação de um projeto de poder… do PT.

Agora veja o que ele diz sobre “fortalecimento da direita”:

A direita está se fortalecendo em todo o mundo. Vemos isso com o retorno dos republicanos, nos Estados Unidos. Na França, por exemplo, alguns representantes da centro-esquerda já surpreenderam, ao afirmar que podem votar na líder dos conservadores, a Jean-Marie Le Pen. A justificativa é que eles ajudaram a eleger um governo que não foi aberto ao diálogo e permitiu a corrosão dos salários, por exemplo. Então, esses representantes perguntam que alternativa lhes restou.

Ué, a “direita” está se fortalecendo por que os esquerdistas estão brigando entre si ou por que eles levaram seus países ao colapso?

Implicitamente, Romano quer nos vender a ideia de que basta os sociais democratas servirem aos marxistas (o que ele chama de “união” não passa de submissão do mais bobo ao mais esperto) para que a direita seja vencida. Mas é exatamente o oposto, pois o excesso de vitórias esquerdistas em vários países os tem destruído. Resta uma alternativa, que não seria esquerda, oras…

No caso do PSDB, acho que o jogo já está dado. Ele não se movimenta nesse sentido. Já no caso do segundo governo Dilma, a composição do ministério só aumenta a sua fragilidade e dá margem para que a direita retorne. Quando ela tenta esvaziar o PMDB, fortalece o Kassab, por exemplo. O Kassab nunca foi de esquerda e foi, inclusive, muito combatido pelo PT. Quando prefeito de São Paulo, ele colocou coronéis da PM para comandar as subprefeituras. Tradicionalmente, essa é uma categoria que é retrógrada. É completamente utópico esperar que haja uma saída à esquerda, neste governo Dilma. O PMDB é uma confederação de oligarquias. É a velha direita brasileira hegemônica. Você já sabe o que esperar. Mas, dos novos partidos, como o do Kassab, pode-se esperar tudo, menos uma volta à esquerda. Ao sair da tutela do PMDB, Dilma se enfraquece.

Além de cínico e delirante, ele é mal agradecido.

Gente como Kassab e a turma do PMDB, ao menos até agora, só tem feito dar todo apoio necessário ao PT.

Romano é contraditório também, pois primeiro diz que Kassab é de “direita” (onde? quando?). Depois diz que o PMDB também é “a velha direita brasileira hegemônica” – eu lembro o quão direitista foi o Plano Cruzado de Sarney. Daí ele conclui que se o PT “sair da tutela do PMDB, Dilma se enfraquece”. Ora, se aliar com “a direita hegemônica” então é bom? Fica a impressão de que ele vai inventando frases desconexas tentando hipnotizar o entrevistador, pois essa argumentação de Romano é completamente nonsense.

Sobre otimismo com a política brasileira, ele conclui:

Sou um pessimista com a história do Brasil, cheia de corrupção, favores, desigualdades sociais e econômicas. Essas desigualdades atingem a todos. Não se restringem ao que o Élio Gaspari chama de “andar de baixo”. No “andar de cima”, quando um grupo de empreiteiras se beneficia de favores do governo, lesam a concorrência e aquelas empresas que trabalham honestamente. Isso prejudica muito o desenvolvimento do País. Agora, me considero um realista no sentido de que a solução é que a sociedade se una. A interpretação de Maquiavel, feita por Spinoza, é de que o direito natural é que o peixe grande coma o peixe pequeno. A solução é que os peixes pequenos se unam para comer o grande. É por isso que acho a frase do Genoíno boa: você pode ser governo, sem que o poder esteja em suas mãos. E sou otimista, porque acho que a história não é uma fatalidade. É preciso um trabalho contínuo das pessoas. Há como mudar.

Traduzindo: ele espera que “os peixes pequenos se unam para comer o grande”. Ou seja, que um partido se finja de “defensor dos oprimidor” para tomar o poder de forma totalitária, que nada mais é que o projeto marxista de cabo a rabo.

Para ele o “peixe grande” é qualquer um que se oponha ao totalitarismo marxista, e, para evitar que este totalitarismo seja barrado, é preciso transformar tucanos em seus capachos. Em uma casca de noz, é exatamente isso que Romano propõe.
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